O Rei da Alegria
Postado em Al`Fahab, Músicas para Lêr, Remoendo as Tripas em Novembro 10, 2009 por domlobo.
Seu amigo era o copo
O copo era o seu amigo
Enquanto estivessem cheios (ambos os dois)
Não havia nenhum perigo
(De briga ou discussão)
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Domingo foi ao mercado
Em busca de compania
Com àgua, cachaça e metanol
Nesta mistura sem dó
Chegou o seu dia
.
E ontem foi enterrado
Com uma garrafa vazia
Num paletó usado
Assim será lembrado
…O Rei da Alegria!
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- pseudo_sambinha_de_breque_(meia embreagem) que fiz há cerca de 10 anos quando chorei de tristeza ao saber da tragédia que se abateu sobre a cidade de Santo Amaro da Purificação. Dezenas de pessoas foram vitmadas pela contaminação, por metanol, da cachaça guardada em recipientes reaproveitados. Parecia ser errado tentar ser feliz, eramos precários demais para isso…
Será que é insônia?
Postado em Al`Fahab, Estórias Para Boi Dormir em Outubro 12, 2009 por domlobo.
Chegou às duas e trinta da manhã e não entendeu o caminho que o levara até alí… Não estava bêbado, seria muito mais fácil se estivesse… Percorreu toda a sua vida como se bastasse um estalo para fazer com que algo acontecesse…
Como se para escrever um texto bastasse achar a primeira frase e o resto todo viesse naturalmente… Como se difícil mesmo fosse começar alguma coisa… Tentava se enganar quanto a isso… Redundancias e certezas eram as armas mais adequadas para disfarçar a insegurança que jorrava de seus olhos. Via a seu redor um mundo cheio de frases feitas e poses improvisadas…
Gostava de acreditar em muitas coisas, inclusive na importância de ser um descrente.
Lía e re-lia o que quase nem escreveu… Cheio de certezas e reticêcias, deixando um rastro de pistas para si mesmo, que tinha certeza ainda salvariam a humanidade.
Qualquer um poderia encerrar logo aquele paragrafo e acabar com todo esse sofrimento… Mas preferia sempre as reticências, adorava fingir que via uma beleza naquilo… Adorava fingir que via uma beleza…
Minunciosamente espontâneo, suspirava esperando a próxima palavra, o próximo clichê… O clichê que ele mais gostava era: falar de clichê, gostava mais ainda se pudesse nem tocar no assunto…
Ser despretencioso é maior pretenção que um sujeito poderia ter na vida… Lia e re-lia o texo a procura de espaços para novas reticências. A maior invenção da humanidade foram as reticências… Em segundo lugar vem o “delete”, mas ele perde para a sequela.…
Reticências são muito boas… Tão boas quanto mentiras.
Disfarçar a fuga de busca. Adorava reticencêcias e acreditava ser atêu. Frases feitas e clichês… O maior disfarce são as tripas abertas, mas só depois das reticências…
Como era difícil um ponto final! Adorava fingir as coisas…
25 09 09
caymme pamamé
Postado em Poetagens em Setembro 18, 2009 por domlobo.
Léléé… Léléé…
Lélé, lélé, lélé
Léléé… Léléé…
Lélé, lélé, lélé
Vida de artista é difícil…
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O Futuro de um Pretérito Imperfeito
Postado em Inercia, Poetagens em Setembro 18, 2009 por domlobo.
Olhando para o passado
Relembro frustrado
O futuro que não chegou
Olhando de onde vim
Vejo onde vou…
…Parar?
Todo mundo em sono profundo
Novidade seria mudar
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Rolling on the Paripe’s Railroad (no trem da leste)
Postado em Estórias Para Boi Dormir em Setembro 17, 2009 por domlobo.
Escovou os dentes e deu uma conferida no sorriso amarelo. Há séculos que não via brilhantina no mercado, mas o topete branco já ficava em riste só de ouvir aqueles velhos discos. Discos velhos, de jovens antigos…. Coisas velhas demais para estes jovens entenderem, jovens demais para perceber que ficarão obsoletos…
Nunca havia usado os tais casacos de couro, achava que seria ridículo neste calor, e nem andava numa lambreta. Na verdade, nunca tivera dinheiro para essas coisas.
Fumava Derby e arrotava Malboro. Odiava fumaça, não gastaria muito dinheiro com isso, nem se tivesse, preferiria comprar um bom Zippo. O importante mesmo era saber o jeito certo de segurar o cigarro, aquele olhar de desdém mirando o horizonte, acrobacias com o isqueiro e o charme certeiro de soprar a fumaça pelo canto da boca….
Cuspiu no chão e pisou com seus sapatos lustrados, aproveitou para dar uma ajeitada no saco. Sentiu uma dor aguda nos ossos quando o vento frio invadiu o vagão. Olhava a praia da Ribeira e sonhava com carros conversíveis. Aquele vento maldito fez lhe lembrar a neve… Lembrar?
Talvez houvesse tempo ainda… Sonhos velhos de garotos antigos. Coisas velhas demais para estes jovens entenderem, jovens demais para perceber que ficarão obsoletos…
…Imaginava a cor daquele branco todo.
That’s all right Mama!
Pedantismo alimentar
Postado em Poetagens em Setembro 16, 2009 por domlobo.
ich…
Vixe!
Quem disse
Que empada, metida a besta,
Se chama quiche?
Movimentos Peristalticos
Postado em Poetagens em Setembro 16, 2009 por domlobo.
Ensimesmado como sou
Nunca sei onde vou
Parar, pra quê?
Continuo movendo-me dentro de mim
Pois é
É assim
Podes crer!
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As certezas são seres estranhos.
Postado em Estórias Para Boi Dormir em Setembro 15, 2009 por domlobo.
Todo dia tem alguma coisa a nos ensinar, esta frase se repetia continuamente na cabeça enquanto subia os 3 lances de escada que o levariam a um porto seguro de silêncio reflexão… Todo dia tem alguma coisa para nos ensinar e os dias que começam estranhos tem mais a ensinar que os outros. É como se a estabilidade nos privasse na necessidade de confrontar nossas próprias certezas.
As certezas são seres engraçados, efêmeros, que você acha que compartilha com o resto da humanidade. E a humanidade é cheia de certezas, mas cada um com sua. As certezas são seres muito mais evoluídos que os humanos, elas não devoram e nem matam umas às outras. É claro que de vez em quando rola um espancamento no mundo das certezas, mas certeza que é certeza não morre. Pode até ficar meio xôxa, coitadinha, pode até ficar de escanteio e sem ninguém disposto a lutar por ela… Por que um mundo incerto como o nosso só pode ser construído sobre um alicerce de certezas absolutas. Amém!
Minutos antes, caminhava tranquilamente pela rua achando que nada abalaria seu mundo de certezas instáveis. Assim seguiu até encontrar, na porta do prédio onde trabalha, o amigo zelador. Após os cumprimentos habituais e uma rápida passagem pelas manchetes do dia e outras amenidades, foi dum passado não muito distante que emergiu a bomba que abalaria suas tranqüilas certezas:
- Fernando Collor de Melo foi o homem que moralizou este país, nunca houve no mundo um presidente melhor que ele, só não fez mais por que foi boicotado… – Disse amigo Zelador com toda a certeza do mundo..
“Caralho!” Taí uma certeza que ele não esperava encontrar pela frente, tinha certeza de que era um absurdo e que ninguém poderia acreditar naquilo. Até riria se não fosse pelo medo de magoar o amigo. O instante de hesitação resultante da surpresa foi fatal, aquele microssegundo que o pugilista leva para assimilar o primeiro golpe e que abre o caminho para o espancamento. Enquanto tentava se esquivar dos tijolos que voavam em sua direção, e certezas são tijolos que constroem verdades, tentava entender que lógica regia aquelas certezas tão contundentes e aparentemente descabidas. Enquanto isso, um prédio inteiro era arremessado em sua direção, tijolo por tijolo.
- Ele era um azarão naquela eleição de _____. Tinha tudo contra ele, só muita vaidade política e vontade de acabar com a bandalheira neste país poderia ter feito aquele homem se candidatar a presidente…. – Continuava o inabalável amigo Zelador.
O baseball perdera um grande talento no amigo Zelador, duvido que na liga profissional haja um arremessador como aquele. Se era tão bom com os pesados e nada aerodinâmicos tijolos, imagina com aquela bolinha feita para voar?! Que prodígio ele seria!
Já tinha passado alguns minutos, teve tempo de respirar e ver que seus bolsos também estavam cheios de certezas, e elas com certeza eram mais aerodinâmicas que as certezas do amigo Zelador. Até tinha a impressão que não fora ele quem esquivara, que suas certezas é que o puxaram para um lado e para o outro, livrando-o do risco iminente de ter seu côco rachado pelos tijolos voadores. As certezas se conhecem bem, e uma sabe como se esquivar da outra…
Olhou no bolso e escolheu uma certeza certeira, aerodinâmica e precisa como uma bala de fuzil, não queria prolongar a discussão. Entre um tijolo e outro lançou o contragolpe perfeito: “Peraí, mas Collor não foi também o único presidente brasileiro a sofrer um processo de impeachment e renunciou antes para não passar esta vergonha?”
O amigo Zelador fez cara de quem levou um tijolo pela cara e não entendia como alguém poderia pensar aquilo, tinha certeza de que era um absurdo e que ninguém poderia acreditar naquilo. Até riria se não fosse pelo medo de magoar o amigo. O instante de hesitação resultante da surpresa foi fatal, aquele microssegundo que o pugilista leva para assimilar o primeiro golpe e que abre o caminho para o espancamento:
-E o P.C. Farias? E o dinheiro na máfia italiana financiando a campanha? E os carros oficiais levando cachorros para passear? E a manipulação de informações por parte da imprensa? E aquele debate totalmente manipulado pela rede globo, dias antes da eleição? E o confisco da poupança …
Olhou nos olhos perplexo do amigo Zelador e achou que a discussão estava encerrada. Tinha certeza disso até ver um condomínio inteiro ser arremessado contra sua cabeça, tijolo a tijolo, absurdos que nem ousa relembrar. E a batalha continuou por mais algum tempo, com cada um arremessando seus próprios tijolos sem perceber a falta de aerodinâmica. Chega o elevador, o Zelador entra, fecha a porta pantográfica e aperta o botão, sobe… O outro vai pelas escadas para evitar a continuidade da discussão.
-”É um absurdo ele acreditar nessas besteiras, quem acreditaria nisso? Nem vale a pena discutir com esse cara!” – Pensavam os dois ao mesmo tempo, sem se dar conta de que finalmente encontraram uma certeza em comum. Um tinha certeza de que o outro estava errado.
…As certezas são seres estranhos!
As coisas que escrevo
Postado em Poetagens em Setembro 15, 2009 por domlobo.
Das coisas que escrevo,
Umas são para mim
Outras, pros outros
Escrever pra mim é como café com pão…
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…Um pouco de manteiga e alguns biscoitos.