Rolling on the Paripe’s Railroad (no trem da leste)
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Escovou os dentes e deu uma conferida no sorriso amarelo. Há séculos que não via brilhantina no mercado, mas o topete branco já ficava em riste só de ouvir aqueles velhos discos. Discos velhos, de jovens antigos…. Coisas velhas demais para estes jovens entenderem, jovens demais para perceber que ficarão obsoletos…
Nunca havia usado os tais casacos de couro, achava que seria ridículo neste calor, e nem andava numa lambreta. Na verdade, nunca tivera dinheiro para essas coisas.
Fumava Derby e arrotava Malboro. Odiava fumaça, não gastaria muito dinheiro com isso, nem se tivesse, preferiria comprar um bom Zippo. O importante mesmo era saber o jeito certo de segurar o cigarro, aquele olhar de desdém mirando o horizonte, acrobacias com o isqueiro e o charme certeiro de soprar a fumaça pelo canto da boca….
Cuspiu no chão e pisou com seus sapatos lustrados, aproveitou para dar uma ajeitada no saco. Sentiu uma dor aguda nos ossos quando o vento frio invadiu o vagão. Olhava a praia da Ribeira e sonhava com carros conversíveis. Aquele vento maldito fez lhe lembrar a neve… Lembrar?
Talvez houvesse tempo ainda… Sonhos velhos de garotos antigos. Coisas velhas demais para estes jovens entenderem, jovens demais para perceber que ficarão obsoletos…
…Imaginava a cor daquele branco todo.
That’s all right Mama!