Será que é insônia?
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Chegou às duas e trinta da manhã e não entendeu o caminho que o levara até alí… Não estava bêbado, seria muito mais fácil se estivesse… Percorreu toda a sua vida como se bastasse um estalo para fazer com que algo acontecesse…
Como se para escrever um texto bastasse achar a primeira frase e o resto todo viesse naturalmente… Como se difícil mesmo fosse começar alguma coisa… Tentava se enganar quanto a isso… Redundancias e certezas eram as armas mais adequadas para disfarçar a insegurança que jorrava de seus olhos. Via a seu redor um mundo cheio de frases feitas e poses improvisadas…
Gostava de acreditar em muitas coisas, inclusive na importância de ser um descrente.
Lía e re-lia o que quase nem escreveu… Cheio de certezas e reticêcias, deixando um rastro de pistas para si mesmo, que tinha certeza ainda salvariam a humanidade.
Qualquer um poderia encerrar logo aquele paragrafo e acabar com todo esse sofrimento… Mas preferia sempre as reticências, adorava fingir que via uma beleza naquilo… Adorava fingir que via uma beleza…
Minunciosamente espontâneo, suspirava esperando a próxima palavra, o próximo clichê… O clichê que ele mais gostava era: falar de clichê, gostava mais ainda se pudesse nem tocar no assunto…
Ser despretencioso é maior pretenção que um sujeito poderia ter na vida… Lia e re-lia o texo a procura de espaços para novas reticências. A maior invenção da humanidade foram as reticências… Em segundo lugar vem o “delete”, mas ele perde para a sequela.…
Reticências são muito boas… Tão boas quanto mentiras.
Disfarçar a fuga de busca. Adorava reticencêcias e acreditava ser atêu. Frases feitas e clichês… O maior disfarce são as tripas abertas, mas só depois das reticências…
Como era difícil um ponto final! Adorava fingir as coisas…
25 09 09
Outubro 20, 2009 às 4:11 pm
maravilhoso… adorei…